Ago/2010
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O Globo
Tatiana Farah
A sonhada casa própria do funcionário público André Luiz Davi, de 36 anos, pode virar um estacionamento. Ele pagou R$ 66 mil, R$ 16 mil a mais que o previsto no contrato inicial, por um apartamento que nunca foi construído pela Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo). Com um filho de 1 ano, mora na casa da mãe e sequer teve condições de contratar advogado para tentar reaver o dinheiro pago. Davi é um dos três mil sócios da Bancoop que, segundo o Ministério Público de São Paulo, foram lesados.
"O prédio nunca saiu do chão. Faz mais de cinco anos que entrei no negócio, usando parte do fundo de garantia. Foi um péssimo investimento", lamenta.
Segundo Davi, o apartamento seria construído em Interlagos, no condomínio Vila Inglesa. A previsão era construir três torres de apartamentos, mas só duas foram erguidas no local. "A última notícia que tive foi que o local vai ser usado como garagem."
Depois de ter pagado R$ 66 mil, há cerca de três anos o funcionário público suspendeu as mensalidades que saíam direto do fundo de garantia para a Bancoop. Ele decidiu parar de pagar, mas ainda reluta em entrar na Justiça para reaver o dinheiro.
Pedro de Abreu Dallari, advogado da Bancoop, afirmou que em 2003 e 2004 o orçamento dos empreendimentos foi subestimado, causando um efeito em cadeia de ações na Justiça.
Segundo ele, a Bancoop ganhou as ações. Dallari contestou o número de 3 mil cooperados lesados apresentados pelo Ministério Público

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