Ago/2010
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PIB negativo não reflete a realidade da indústria da construção

Assessoria de Comunicação da CBIC


A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) questiona os números divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes ao Produto Interno Bruto (PIB) do segmento da construção civil.


O resultado do IBGE mostra que o setor registrou uma queda de 6,3% no ano passado, o que não condiz com a realidade vivenciada pelo segmento. Os empresários defendem uma reavaliação da metodologia utilizada pelo órgão. Afinal, em um ano em que o setor reuniu uma série de dados positivos, como a expansão do emprego e do crédito imobiliário e a estabilidade da venda de cimento, não pode ser registrada uma queda tão acentuada na produção.


A CBIC concorda que houve uma desaceleração em relação aos anos anteriores em função da crise econômica, mas aposta em um número positivo, diferente do que registrou o IBGE. Em 2008, o PIB da construção cresceu 8,2%. De acordo com estimativas elaboradas pela FGV Projetos, a expansão setorial em 2009 foi de 1%.


A metodologia para cálculo do PIB (valor adicionado) trimestral do setor é realizada com base na produção de materiais de construção, que, não por coincidência, apresentou os mesmos 6,3% de queda (segundo a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE). Isso ocorreu porque quando a crise econômica chegou ao comércio, as construtoras, de uma forma geral, possuíam estoques elevados, afinal o mercado vinha em fase de expansão.


As indústrias seguraram a fabricação dos insumos, mas o mercado da construção permaneceu aquecido, o que não foi refletido nos cálculos do IBGE. Ainda que esses números sejam ajustados, posteriormente, no resultado das Contas Nacionais (IBGE), é importante repensar as estimativas de crescimento da construção nos resultados trimestrais do PIB para evitar essa desconexão. É necessário perceber que a operação realizada por construtoras volta a ocupar espaço importante no desenvolvimento da economia brasileira.


Indicadores mostram crescimento em 2009 e otimismo em 2010


A contestação da CBIC está baseada em um forte indicador que registrou desempenho bastante positivo no ano passado: a expansão do emprego. Em 2009, o segmento da construção foi responsável por 18% dos empregos formais gerados em todo o mercado de trabalho brasileiro, segundo os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.


De janeiro a dezembro, foram empregados 177.185 trabalhadores nos canteiros de obras, 9% mais que no ano anterior, bem mais que o crescimento médio do mercado de trabalho no período, de 3%. Em 2010, a expectativa dos empresários é que o crescimento do emprego no setor chegue a 8%. Outro indicador desse crescimento foi a venda de cimento no mercado interno, que ficou estável em relação a 2008.


De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic), em todo o ano de 2009 foram vendidos 51,3 milhões de toneladas de cimento, 0,1% a mais que no ano anterior. Para 2010, a CBIC estima um crescimento de 9% no PIB.


A projeção positiva se deve ao andamento dos programas Minha Casa, Minha Vida (PMCMV) e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além das obras para a Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, que atrairão investimentos para os segmentos de infraestrutura e imobiliário.


Pesquisa divulgada na última terça-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que os empresários da construção civil estão bastante otimistas em relação aos próximos seis meses. A expectativa é positiva em relação ao aumento da atividade, à compra de matéria prima e ao lançamento de novos empreendimentos e serviços. Pela pesquisa da CNI, indicadores acima de 50 indicam expectativa positiva. E, nos três casos, os índices ficaram em 68,4, 66,0 e 68,2, respectivamente.




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