Ago/2010
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Há vagas na construção civil

Diario de Natal - RN
Renato Lisboa

Setor é considerado o motor de crescimento da economia brasileira e do Rio Grande do Norte.


O pedreiro José Antônio Batista da Silva se considera um homem tranquilo. Aos 47 anos e apenas com o primeiro grau completo, ele diz não ficar sem trabalho por muito tempo. A não ser por sua própria vontade. "Às vezes eu termino um serviço e decido ficar um mês parado para resolver meus problemas de casa. Ou então dou uma esticadinha de quatro meses, até acabar o dinheiro do seguro desemprego, mas logo arrumo um serviço", conta, despreocupado, momentos antes de terminar mais um dia de trabalho na construção de um prédio residencial no bairro de Capim Macio.


Silva é a expressão humana e local de estatísticas animadoras na construção civil em todo o país, após o segmento ter sofrido um baque há dois anos, em decorrência do congelamento do crédito, perda e redução de investimentos, frutos da crise financeira internacional originada no mercado imobiliário americano.


Embora tenha diminuído o ritmo de crescimento em junho (com 141 empregos criados), o setor liderou a geração de empregos em maio, com uma criação de 1.085 postos de trabalho no Rio Grande do Norte, apresentando uma oscilação positiva de 3,11% em relação à quantidade de vagas criadas em abril. E vem sendo apontado como o principal motor do avanço do Produto Interno Bruto (PIB), que no primeiro trimestre de 2010 apresentou um aumento de 9%, o maior incremento desde 1995.


Outra medida da expansão da área, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), são os dados preliminares sobre a venda de cimento, que cresceu 12,4% nos primeiros dois meses do ano, com relação ao mesmo período em 2009. "As medidas de estímulo ao setor tiveram um efeito muito positivo na geração de empregos", fala o supervisor técnico do Dieese, Melquisedec Moreira, fazendo uma referência à isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o material de construção civil, uma medida instituída pelo governo federal em março de 2009 como uma forma do mercado reagir ao desaquecimento econômico.


Ainda de acordo com o Dieese, no Rio Grande do Norte, entre janeiro e maio de 2010, o setor conta com um saldo positivo de 4.334 empregos (maior que o saldo anual de 2008). No acumulado dos 12 meses (junho de 2009 a maio de 2010), a construção civil apresenta um saldo de 5.421 postos de trabalho (maior que o saldo de 2008 e 2007, que somaram juntos 3.828 vagas).


Diante deste desempenho, o pedreiro José Antônio segue confiante na oferta de trabalho, principalmente em virtude dos investimentos relacionados à Copa de 2014. "Não tem como faltar trabalho. Ainda agora que estão falando em derrubar o Machadão", declara ele, que já presenteou cada um de seus três filhos com uma casa. Ele mesmo as construiu. "Compro lotes a prestações de R$ 150 cada um e vou construindo aos pouquinhos", conclui Antônio, que tem um salário de R$ 620.




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