Ago/2010
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Estado de Minas (MG) - Artigo
Por Jorge Luiz Oliveira de Almeida*
Ao que tudo indica, esta será a década da indústria da construção nacional. Desde os anos 70, quando o governo militar deu impulso a planos de grandes obras, não vivíamos um cenário tão positivo. Pelo menos é o que temos lido e ouvido em divulgações diversas. Os dados estão aí para comprovar essa perspectiva. Vamos a eles:
O Anuário Exame de Infraestrutura 2009-2010 apurou que estão em andamento ou em projeto 1.200 obras com orçamento total de R$ 332 bilhões. O anuário mostra também que quase R$ 40 bilhões deverão ser aplicados na conclusão de 515 obras até o fim do ano. Ainda em 2010, deverão ser iniciados quase 300 empreendimentos, que movimentarão mais R$ 52 bilhões.
Estimativas da Deloitte dão conta de que ainda neste ano deverão ser aplicados US$ 100 bilhões em infraestrutura e US$ 140 bi em 2012. Já a LCA estima que o investimento saltará dos atuais US$ 261 bilhões para US$ 1 trilhão em 2020.
O principal agente financiador de obras no país, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), publicou que até 2013 cerca de R$ 274 bilhões deverão ser investidos em energia elétrica, telecomunicações, saneamento e logística.
Segundo a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), de 2003 a 2009 os investimentos públicos e privados em obras de infraestrutura mais que dobraram: de US$ 31 bilhões para US$ 64 bilhões. Já um estudo realizado em 155 países com mais de mil operadores logísticos pelo Banco Mundial revelou que a infraestrutura brasileira alcançou o 41º lugar no ranking de 2009. Em 2007, o país ocupava o 61º lugar - um dos maiores avanços registrados no ranking.
A Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic), divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que em 2008 o valor das incorporações, obras e serviços no país atingiu R$ 159 bilhões, uma alta de 22,3% em termos nominais e 12,3% em termos reais em relação ao ano anterior.
O último dado do Produto Interno Bruto do setor, também divulgado pelo IBGE, registrou aumento de 14,9% na comparação do primeiro trimestre de 2010 frente a iguais meses de 2009. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego apurou que a indústria da construção gerou nos últimos 12 meses 321.295 novos postos de trabalho, um crescimento de 14,96%, o maior entre os segmentos pesquisados. No ano, a construção gerou 205.194 novos empregos formais, uma variação de 9,07%, também a maior entre os setores pesquisados em 2010.
Conforme a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), em maio o faturamento das vendas internas de material de construção cresceu 21,29% em relação a maio do ano passado. Nos primeiros cinco meses de 2010, a alta frente aos mesmos meses de 2009 foi de 20,54%. Ainda segundo a Abramat, a intenção das indústrias de material de investir nos próximos 12 meses foi de 71% em maio, registrando aumento em relação a abril, quando a pretensão era de 66%. Em maio do ano passado esse número era de apenas 33%.
Todos esses dados colocam o Brasil em posição de destaque frente aos investidores, mas ainda temos gargalos, como enorme burocracia e falta de regras claras e estáveis para alguns segmentos. O país tem que resolver esses problemas, pois sua hora pode ter chegado.
* Diretor de Comunicação do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG)

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