Ago/2010
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Comércio de materiais de construção aumenta 19,7%

Diário da Manhã - GO
Vandré Abreu

O mercado aquecido no setor de construção elevou as vendas de materiais no varejo em 19,78% no primeiro semestre do ano em comparação ao mesmo período de 2009. No mês de junho, a alta foi de 16,34%, também em relação a este mês do ano passado. Assim mesmo, se comparado às vendas de maio, houve retração em 0,71%. O ramo ainda gerou 12,3% de empregos a mais neste mês. Frente a maio deste ano, o crescimento foi de 2,33%. Em Goiás, empresários esperam que 2010 seja o melhor ano da história da construção e calculam expansão de 20%, tanto na geração de empregos como em vendas.


Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). A pesquisa ainda mostra crescimento nas vendas de 0,67% no primeiro semestre de 2010 em comparação ao mesmo período de 2008, quando houve expansão no setor e antecedeu a crise financeira mundial. A expectativa dos empresários é de que haja alta de 15% em todo o ano em relação a 2009. Os materiais para construção mantêm a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) desde 1º de abril de 2009 e estará em vigor até dezembro deste ano.


O presidente do Sindicato da Indústria da Construção em Goiás (Sinduscon) e vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Roberto Elias Fernandes, analisa como excelente a atual situação do setor no Estado. "Especialmente em maio, junho e este mês agora, muitas obras estão se iniciando e contribuindo para toda a área", afirma. Neste momento, tanto os materiais básicos como os de acabamento estão com alta nas vendas e a perspectiva é de que o segundo semestre traga melhores números.


Aposta


Segundo o empresário da área Cláudio Pacheco, o segundo semestre tende a ser de 20% a 30% maior em vendas do que o primeiro. "As obras agora estão iniciando, estão comprando os materiais básicos e os lojistas aguardam que os números se tornem ainda maiores", diz. Para ele, o problema dos varejistas tem sido a variação no preço de alguns materiais específicos, como o ferro, o cimento e o tijolo. Roberto Elias, mais voltado à compra dos materiais, indica que as variações são consideradas razoáveis pelos construtores.


Cláudio cita o tijolo como exemplo e mostra que o valor do milheiro partiu de R$ 260 e hoje está em R$ 420, mas que o preço natural seria em torno de R$ 350. "O produto estava em baixa em 2009 e agora subiu. O aumento não seria isso tudo", salienta. Outro fator para a variação é a maior venda do material básico nesta época, o que poderá vislumbrar possível variação dos materiais de acabamento mais para o final de 2010, por conta da especulação do mercado.


Em relação à margem de lucro, o diretor reforça que há muita concorrência no setor varejista e que isso limita grandes ganhos. Por outro lado, a expectativa continua sendo o segundo semestre. "A melhor época do ano ainda está por vir. Agosto e setembro são considerados picos para as vendas, então os números podem melhorar", indica.


Quanto à queda em relação a maio, o presidente da Associação dos Comerciantes de Material de Construção de Goiás, Leonardo Lelis, entende o motivo da retração como sendo a Copa do Mundo.


Concorrência dificulta contratação


Em sua loja, Leonardo Lelis revela que cerca de 20% de novas vagas foram criadas para todo o empreendimento, seja no setor interno (vendas e atendimento) e no pátio (entrega e estocagem). "A gente contrata muito e ainda falta porque não tem mão-de-obra qualificada. Aí a gente tem de inventar, tentar de algum jeito", alerta. Cláudio acredita que a concorrência no setor também é responsável pela dificuldade na mão-de-obra, pois há disputa de funcionários do pátio com as construções.


"No setor interno, de atendimento, limpeza e vendas, não temos muita dificuldade em encontrar pessoas. Mas em relação ao pátio sim, pois muitos se tornam serventes e vão trabalhar nas obras", explica Cláudio. Em sua empresa, o aumento das vendas (20%) é proporcional ao de empregados. Neste semestre, ele afirma ter contratado quatro funcionários. De todo modo, ele exemplifica as diferenças entre as áreas do empreendimento pelo tempo que os servidores permanecem na loja. "Temos vendedores de 5, até 10 anos de casa, é um setor em que há permanência. No pátio, com um ano já é considerado veterano, pois a rotatividade é bem maior", conta.


Roberto Elias, do Sinduscon-GO, endossa que Goiás está um verdadeiro canteiro de obras, pois há baixa na taxa de juros e aumento no crédito e nos prazos, o que eleva o poder de compra dos imóveis. Leonardo afirma que a taxa de crescimento do ramo no Estado só não é maior do que a da região Nordeste e reitera que isto ocorre por esta ter tido maiores incentivos do governo federal. Assim mesmo, o destaque, para os empresários, não se explica somente pelo apoio governamental em relação à redução do IPI.


Lelis destaca que estas taxas se mantêm desde o ano anterior e continuarão até o fim deste e, além disso, o segmento cresce de maneira planejada. "Quando ocorreu a crise de 2008, ninguém parou a obra por conta dela. As obras foram terminadas e depois as construtoras esperaram um tempo para começarem outras a partir do que aconteceria no mercado", pontua. Até por isso, não há uma perspectiva dos varejistas por uma corrida dos consumidores no final do ano, próximo ao fim do IPI, como ocorreu no caso dos automóveis.


Para Cláudio, o caso do setor automobilístico se deu porque os lojistas se utilizaram do fim do IPI como estratégia de marketing, para expandir as vendas. "Pode ser que quase no fim do IPI haja alguma propaganda a este respeito das lojas de materiais para construção, usando isso como argumento de venda, mas ainda não teve nada", diz.




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