Ago/2010
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Valor Econômico - SP
Coluna da Daniele Camba, por Alessandra Bellotto
Muito barulho para um trimestre normal. Esse é o título de um relatório sobre o mercado imobiliário no Brasil do Barclays Capital, assinado por Guilherme Vilazante. À primeira vista, a frase soa como se o cenário para o setor não estivesse lá essas coisas. Mas o banco ressalta que a visão para o segmento é positiva, com a demanda forte sustentando o crescimento.
Então, por que o barulho? Vilazante refere-se aos balanços do segundo trimestre. Apesar do otimismo do mercado com as vendas no ano (equivalentes a 42% das projeções, seis pontos percentuais acima da média histórica de cinco anos), os números do segundo trimestre devem vir em linha com o histórico: vendas iguais a 22% do projetado, ante média de 21%.
Isso significa que o crescimento foi puxado pelo primeiro trimestre - sazonalmente mais fraco -, quando as companhias venderam o equivalente a 20% das projeções, aumento de cinco pontos percentuais. "Na nossa visão, o resultado forte do primeiro trimestre foi desprezado pelo mercado. E nós acreditamos que o recente rali foi desencadeado por uma performance de vendas não tão excepcional."
O índice imobiliário (Imob) fechou a semana em alta de 5,56%. No mês, a valorização supera os 16%. Os números confirmam o rali recente, já que no ano o retorno está na casa dos 3,20%.
Gafisa e PDG Realty estão entre as principais apostas do Barclays no setor. No primeiro caso, a justificativa está no fato de a empresa estar sendo negociada com desconto de 26% em relação à média de seus pares, considerando o múltiplo preço em relação ao valor patrimonial ajustado (P/VPA).
Para o analista, o mercado está cético em relação à capacidade da Gafisa de melhorar suas margens operacionais. Ele destaca, porém, que o desempenho fraco da empresa está ligado a fatores temporários, como investimentos na Tenda, que devem se tornar menos relevantes.
No caso da PDG, o Barclays acredita que a aquisição da Agre ainda não está integralmente refletida nos preços. A companhia, segundo o analista, está sendo negociada com desconto de 29% em relação à MRV e de 14% na comparação com a Cyrela.
Na visão de Vilazante, o papel da PDG de consolidadora é mais do que compensando pelo retorno sobre o patrimônio líquido e pela performance das ações, fatores que estão sendo desprezados pelos investidores. A empresa deveria ser negociada com prêmio, não desconto, destaca. O banco trabalha com preço-alvo de R$ 22, potencial de alta de 20,5% em relação à cotação de sexta.
Do universo de ações do setor acompanhadas pelo Barclays apenas MRV pode sofrer uma desvalorização. A empresa reportou recorde de vendas e lançamentos, segundo os resultados preliminares, mas o Barclays está cauteloso com a meta para o ano. Além disso, destaca o relatório, a MRV está sendo negociada com os maiores múltiplos. O banco estima um preço-alvo de R$ 13,50, o que representaria uma queda de 10%.
O maior potencial, pelos cálculos do banco, é da Even, com alta de 51%. A companhia, segundo Vilazante, está entre as mais baratas, ao ser negociada com desconto de 30%.
O Ibovespa fechou a semana passada com o melhor desempenho em mais de um ano, em alta de 6,39% e aos 66.322 pontos. Segundo apurou a repórter Beatriz Cutait, o rali foi puxado pelas ações de Vale e siderúrgicas, dado o maior otimismo com a China e o aumento dos preços do minério de ferro. Balanços corporativos americanos mais fortes que o esperado e a volta da atuação do investidor estrangeiro na bolsa brasileira também contribuíram para a alta do Ibovespa.
Alessandra Bellotto é repórter de Investimentos. A titular da coluna, Daniele Camba, está de licença.

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