Ago/2010
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Elson Póvoa*
Jornal de Brasília (Opinião)
O Brasil já enfrentou e venceu muitos desafios no passado, a começar pela sua história colonial, onde conseguiu se impor como país unificado, embora tenha regiões com costumes diferentes. E o desafio que foi a construção e a mudança da capital do País para Brasília, feita no curtíssimo tempo de mil dias num movimento liderado pelo presidente Juscelino Kubitschek. O grande estadista enfrentou tal oposição que, dizem os estudiosos, só teve algumas leis relativas a Brasília aprovadas porque os oposicionistas acreditavam no insucesso da iniciativa.
E agora temos que enfrentar e vencer o desafio da realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 no Brasil, estando Brasília diretamente envolvida por ser uma das sub-sedes da Copa. São duas efemérides que mobilizam a atenção do mundo inteiro e que exigem do país-anfitrião o máximo de demonstração de sua capacidade de realização.
Artigos são publicados diariamente nos jornais chamando a atenção para o atraso em que se encontram cada uma das condições para a realização do evento - estádios, sistemas de transportes, telecomunicações e rede hoteleira. O gargalo dos aeroportos preocupa principalmente porque se calcula que são necessários até seis anos para a construção de um aeroporto de classe internacional, sendo a solução ampliar os nossos, já saturados, se admitindo até a construção de módulos operacionais provisórios.
Projeta-se que serão investidos R$ 5,4 bilhões em 16 aeroportos nas 12 cidades-sedes, entre os quais, o de Brasília. E na nossa capital, temos que concluir o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), reformar o Estádio Nacional de Brasília, o novo nome do Mané Garrinha, e ainda aumentar em dez mil o número de leitos na rede hoteleira, além de outras obras de infraestrutura urbana.
Por isso, a preocupação das entidades da sociedade civil que formam o Fórum da Copa do Mundo de 2014, organizado pelo Crea-DF - Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, e que requerem mais atenção do atual governo ao assunto, nomeando de imediato o Comitê Organizador Local, como exige a Fifa, composto não só de técnicos do governo, mas com a participação da sociedade civil organizada.
Um dos eixos cobrados é a necessidade de um planejamento unificado dos vários órgãos envolvidos. A necessidade de transparência dos atos. E a necessidade imediata de convocação do voluntariado, base de todas as Copas.
*Élson Povoa, Engenheiro civil e presidente do SINDUSCON-DF, Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal.

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