Ago/2010
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Renata Meliga
Tribuna do Brasil - DF
A taxa de desemprego na Capital do País caiu de 14,3% para 14% em junho. Isso significa que cerca de cinco mil novos postos de trabalho foram criados no Distrito Federal. As informações foram divulgadas ontem, pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), encomendada pela Secretaria do Trabalho e feita pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O estudo mostra que a taxa de desemprego do mês passado, foi a menor dos meses de junho dos últimos 18 anos.
Além disso, o rendimento médio dos trabalhadores cresceu 1,2% e foi estimado em R$ 1.912,00. Hoje existem 197 mil desempregados no DF, ou seja, 28 mil a menos que no mesmo período do ano passado. Para o secretário de Trabalho do DF, Takane Nascimento, o desemprego caiu porque as políticas públicas para o trabalho estão apresentando resultado positivo. "Pela terceira vez consecutiva conseguimos alcançar o melhor índice dos últimos 18 anos", comemora Takane.
O secretário adjunto Gustavo Bruno informou que a Secretaria oferece cursos de qualificação profissional para quem almeja uma vaga no mercado de trabalho e acrescentou que a capacitação e qualificação são feitas com base na demanda do mercado. "Oferecemos cursos de capacitação e qualificação do setor de serviços, para a construção civil, entre outros. O que, de fato, falta no mercado é mão de obra qualificada. As vagas existem, mas falta qualificação", opina. Atualmente, existem 569 oportunidades disponíveis nas agências do trabalhador. Em agosto, o Dieese divulgará uma nova Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) com dados semestrais. "A tendência é que o número de desempregados caia ainda mais até a divulgação da pesquisa", afirma otimista o secretário adjunto.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias do DF, Antônio Rocha, em 2010 houve uma recuperação da indústria no DF, principalmente nos setores de construção civil, alimentação, informática e vestuário, por causa da Copa do Mundo. "Só no setor industrial, em maio houve um aumento de 7.2%, o que significa uma recuperação do setor", exemplifica.
Para Antônio Rocha, Brasília pode melhorar ainda mais na redução da taxa de desemprego. "É preciso criar políticas que dêem confiança para o investidor. Brasília ainda não tem essa garantia jurídica. Isso é necessário para que possamos convidar grupos econômicos a participarem do desenvolvimento de Brasília", frisa.
Pelo terceiro mês seguido o nível ocupacional aumentou no DF e as principais contribuições vieram da Indústria (6,5%) e da Administração Pública (2,1%). Por outro lado, a Construção Civil reduziu as ofertas de trabalho em 3%, o que representa menos dois mil postos no setor. De acordo com Tiago Oliveira, economista do Dieese, o índice da Construção Civil não é tão ruim quanto possa parecer. Das duas mil vagas, mil eram empregos sem carteira assinada e os outros mil, autônomos. "Esses trabalhadores podem ter migrado para outras áreas e, até mesmo, conseguido um emprego com carteira assinada", explica.
O empreiteiro Gilvan Alves Pereira trabalha na Construção Civil há 16 anos e diz que nunca ficou desempregado. Ele acredita que o setor é o que mais cresce no Brasil e vai crescer ainda mais, com as obras para a Copa do Mundo de 2014. Na opinião de Gilvan, o que o mercado carece de mão de obra qualificada. "Estou com uma obra atrasada por falta de trabalhadores preparados para o serviço. Estou precisando de 100 pedreiros", informa. Outro trabalhador que não tem o que reclamar é o ajudante de pedreiro Joaquim Virgulino da Silva. Ele trabalha no setor há 28 anos e nunca ficou desempregado. "Só não trabalha na construção civil quem não quer", acredita.
A indústria foi o setor que mais criou postos de trabalho no mês passado e, de acordo com José Neves Filho, diretor de uma indústria de vidros do DF, o índice não mente. "Tivemos um aumento do número de funcionários no mês passado e vamos contratar mais", antecipa, também reclamando da escassez de mão de obra qualificada. "É um problema encontrar mão de obra. As vagas existem, mas não tem trabalhador preparado", lamenta.

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