Ago/2010
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Elson Póvoa
Correio Braziliense
Brasília passa por transformações urbanas, tanto em termos de obras públicas como em políticas sociais e ações de preservação, nunca vistas desde Juscelino Kubitschek. Até os adversários políticos do governador José Roberto Arruda reconhecem a excelência de sua gestão, a ponto de ser considerada modelo para os demais estados brasileiros.
Esmagadora maioria dos brasilienses lamenta pela ocorrência do escândalo político, com o receio de prejuízo na continuidade das obras e ações iniciadas que se refletem positivamente nas áreas de saúde, educação, habitação , segurança pública, transportes e infraestrutura urbana.
Pode-se dizer sem medo de errar que praticamente todos os setores da vida da cidade têm sido afetados por essas ações, sendo que algumas, por serem de médio e longo prazos, como a revolução que se faz no planejamento viário e nos transportes públicos, ainda não repercutiram perante a população. Arruda interviu em áreas nunca antes enfrentadas, como a ordem nos transportes públicos, mais estações do metrô, aumento da frota sem o correspondente aumento da tarifa, para a qual contou com o enérgico secretário de Transportes, Alberto Fraga.
Além disso, tirou do papel as grandes obras viárias, como a Linha Verde (EPTG), a Epia, programas habitacionais, a nova rodoviária, o Setor Noroeste, os viadutos da QNL e do Balão do Aeroporto, a urbanização de Águas Claras e de vários núcleos habitacionais carentes, o estádio e outros empreendimentos exigidos pela Fifa para a Copa de 2014 e investimentos pesados em educação, como a escola integral e mais de 1 mil novas salas de aula.
A regularização dos condomínios, onde vive um terço da população de Brasília, e a ordem na ocupação urbana, com a mudança da cultura da invasão, tem sido uma política pública politicamente correta que a população vai agradecer no futuro, por evitar que a capital se transformasse numa terra refém das favelas e invasões que desfiguraram cidades como o Rio de Janeiro. Prova disso é que não houve nenhuma invasão após a sua ascensão ao governo.
Também iniciou as obras do veículo leve sobre trilhos (VLT), ligando o Aeroporto Juscelino Kubitschek à W3 Sul até a altura do Pátio Brasil, prevendo-se a expansão até a estação do metrô prevista para o fim da W3 Norte.
Por tudo isso é que tenho plena convicção de que, depois de JK, o nosso fundador, Arruda foi o melhor governador que Brasília já teve. E o melhor para Brasília é a continuidade do seu governo, para que as obras iniciadas ou projetadas não sejam interrompidas e os projetos já desenvolvidos sirvam de plataforma para o futuro governador.
Deixemos que a Justiça, que tem os instrumentos disponíveis, apure, julgue e, se for o caso, condene quem cometeu crimes. Mas o atual sistema eleitoral brasileiro conduz à hipocrisia. Todos sabemos, como bem colocou o jornalista Reynaldo Jardim, em recente artigo publicado, que as "campanhas só podem ser desenvolvidas com o apoio financeiro de empresários".
Cresce cada vez mais o número de brasilienses que defendem a tese de que Brasília não pode sofrer mais. O ex-presidente da OAB nacional Reginaldo Oscar de Castro, advogado brasiliense, soma-se a esse coro em recente entrevista aos jornais. Ele diz que Arruda estava cumprindo a lei e destacando Brasília nacionalmente, ao acabar com as invasões, retirar os camelôs do centro da cidade e de Ceilândia, e um conjunto de obras, "o que deixou a cidade entusiasmada e nos fez reviver aquele momento inicial da construção da capital". Vamos separar as coisas: uma é a governabilidade de Brasília; outra, o julgamento pessoal do governador, que não pode sofrer um prejulgamento, um justiçamento prévio, como na Idade Média.
Fica a pergunta: alguém consegue fazer política sem dinheiro? Até a disputa das eleições num diretório estudantil exige recursos financeiros, o que é feito por meio de doações em dinheiro. O que é preciso é regulamentar corretamente as doações por intermédio da reforma política. Vamos deixar Arruda governar até a decisão final da Justiça ou da Câmara Legislativa. É o império da lei.
*Engenheiro e presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (SINDUSCON-DF)

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