Ago/2010
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Empresas inovam na hora de construir moradias

Brasil Econômico


A construção civil está cada vez mais parecida com a indústria automotiva. Lajes, portas e esquadrias são transportadas até o canteiro de obras da mesma forma com que bancos, pneus e motores chegam às fábricas das montadoras de carros. E, no destino final, cada peça é colocada em seu lugar, no tempo certo, para que o produto fique pronto e logo se comece a produção do seguinte.


A industrialização dos canteiros é a resposta do setor imobiliário às metas audaciosas do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Por causa do cronograma apertado e do orçamento enxuto, as construtoras têm investido em sistemas construtivos inovadores que garantem unidades padronizadas e, por isso mesmo, mais baratas.


É o que faz a construtora Rossi. Com grande parte das 13 mil unidades habitacionais saindo do papel este ano, em várias regiões do país, a companhia aposta em um sistema que utiliza esquadrias de alumínios que são colocadas de dentro para fora, método diferente do convencional. Segundo Rodrigo Martins, diretor do segmento econômico da empresa, essas fôrmas são feitas sob medidas para a Rossi.


Além disso, a companhia tem instalado fábricas de painéis pré-fabricados de concreto no entorno dos canteiros de obras. "As plantas mais recentes são as de Canoas, Porto Alegre e Campinas", conta Martins. A Rossi também usa, em suas construções do programa Minha Casa, Minha Vida, lajes maciças, ou seja, que não usam complemento de concreto. "Estamos estudando ainda o uso do sistema radier [usado para fazer a fundação em solos rasos] em terrenos que não são tão resistentes", revela.


Já a construtora Bairro Novo, que pertence à Odebrecht, aposta na utilização de concreto armado em suas obras. O sistema usa fôrmas de alumínio para fabricar paredes que podem ser transportadas por uma única pessoa. Afinal, pesam apenas 40 quilos.


Cada fôrma custa cerca de US$ 350 por metro quadrado de área e pode ser utilizada até mil vezes - enquanto um compensado tradicional só pode ser reutilizado cerca de 50 vezes. E depois de ter esgotado o seu uso, a fôrma ainda pode ser reciclada por ser de alumínio. O equipamento ainda não é produzido no Brasil e por isso mesmo é caro. Mas, segundo Marcelo Moacyr, diretor de engenharia e de finanças da Bairro Novo, o gasto se justifica pelo uso contínuo do material.


Ele funciona como uma fôrma de bolo, onde é colocado o concreto. De lá saem tanto lajes quanto paredes prontas. Além disso, a tinta pode ser aplicada diretamente no concreto, sem necessidade de frisos.


Já a Living, o braço do segmento econômico da Cyrela, aposta na instalação de fábricas de blocos de concreto para garantir o abastecimento do material até o fim das obras. "Em outubro do ano passado, convidamos o nosso fornecedor a ficar instalado dentro do canteiro de obras", conta Antônio Guedes, diretor-geral da Living Construtora.


Outra empresa do grupo Cyrela que também tem foco na baixa renda é a Cury. Ela investe no uso de lajes pré-moldadas para equalizar custos e prazos e assim atender as metas do programa habitacional. De acordo com Fábio Cury, presidente da empresa, a ideia é reduzir o tempo necessário para fazer a estrutura da obra - que é a parte de alvenaria e de laje. "Os canteiros se transformaram em minifábricas. E acho que essa tendência deve se propagar para os outros segmentos", diz.


Podem faltar equipamentos em 2010


Pequenos e médios empresários já estão sentindo dificuldades em comprar equipamentos para a construção civil. Segundo Mário Humberto Marques, diretor executivo da área de equipamentos da Andrade Gutierrez, o prazo de entrega de determinadas máquinas pode chegar a até três meses. "Mas acho que, em um primeiro momento, isso não vai resultar em atrasos nas obras", afirma.


De acordo com estudo divulgado no fim do ano passado pela Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção (Sobratema), devem ser comercializados, este ano, no Brasil, 48 mil equipamentos, incluindo máquinas da linha amarela (pela cor característica), caminhões basculantes, gruas, entre outros. Esse número é 24% maior do que o registrado em 2009, quando as vendas caíram, coincidentemente, 24%. Mesmo com a queda nas exportações por causa da crise econômica, podem faltar máquinas no país, segundo Brian Nicholson, economista e consultor da Sobratema. E é neste hiato que entram os equipamentos chineses, que são mais baratos do que os brasileiros. "Com a crise nos Estados Unidos e na Europa, estão sobrando máquinas no mercado internacional, e com o câmbio favorável à importação pode ser que as matrizes de grandes fabricantes prefiram exportar para o Brasil."


ÁREAS DEVASTADAS

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